{"id":4100,"date":"2015-08-31T10:44:23","date_gmt":"2015-08-31T10:44:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/?p=4100"},"modified":"2016-04-05T18:08:35","modified_gmt":"2016-04-05T18:08:35","slug":"plv687-livro-6-diario-26042012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/plv687-livro-6-diario-26042012\/","title":{"rendered":"PLV687 &#8211; Livro 6 &#8211; Di\u00e1rio, 26\/04\/2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>26\/04\/2012<\/strong><\/p>\n<p>AO P\u00c9 DO FAROL<\/p>\n<p>&#8220;<em>Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles. A isso denominam \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d. Nenhuma m\u00e3e duvida, no fundo do cora\u00e7\u00e3o, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valora\u00e7\u00f5es<\/em>&#8221; (Friedrich Nietzsche).<\/p>\n<p>Li, certa vez que, ao p\u00e9 do Farol, n\u00e3o h\u00e1 luz.<\/p>\n<p>Mas, e o que dizer quando falamos n\u00e3o de uma proximidade geogr\u00e1fica, mas emocional, como na rela\u00e7\u00e3o entre pai e filho, por exemplo? Somente hoje, distante de meu pai, vejo o suficiente para enxergar, com relativa nitidez, a luz de seu Farol e para compreender a liberdade acolhedora de seu amor que, \u00e0 \u00e9poca, eu percebia como sufocante e limitador.<\/p>\n<p>Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas ondas e intemp\u00e9ries daquilo a que chamamos vida, para vislumbrar n\u00e3o somente em que me tornei, mas tamb\u00e9m para reconhecer a seguran\u00e7a do porto de onde parti. S\u00f3 assim pude entender n\u00e3o apenas o que hoje sou, mas de que ra\u00edzes brotei.\u00a0 Lembro-me de, quando jovem, ter dado a meu pai um livro do genial poeta Khalil Gibran. No cap\u00edtulo &#8220;Dos Filhos&#8221;, Gibran escreve: &#8220;<em>Vossos filhos n\u00e3o s\u00e3o vossos filhos. S\u00e3o filhos e filhas da \u00e2nsia da vida por si mesma<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Eu, como todo jovem, clamava por liberdade. E, como jovem, ignorante e esquecido dos perigos do desconhecido, enxergava apenas o mar que \u00e0 minha frente se expandia. Dar o livro a meu pai era como dizer a ele: &#8220;<em>me deixa viver, me conceda a liberdade plena da experi\u00eancia<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Lembro-me que toda vez que discut\u00edamos sobre liberdade, ele me falava dos perigos que a vida nos reserva. Mas eu, que estava ao p\u00e9 do Farol, enxergava apenas a beleza do horizonte e meus olhos n\u00e3o percebiam a dureza do percurso&#8230;<\/p>\n<p>Hoje sou pai.<\/p>\n<p>Os filhos crescem, amadurecem, e percebo que, como muitos pais, continuam a trat\u00e1-los como se tivessem sempre a mesma idade, a mesma mentalidade, as mesmas fraquezas&#8230;<\/p>\n<p>Como hoje eu entendo que, para aprender a navegar, precisamos desafiar os tormentos e as borrascas do mar, \u00e9 chegada a hora de aceitar um dos inevit\u00e1veis des\u00edgnios da vida: se nossos filhos est\u00e3o ao p\u00e9 do Farol, eles s\u00f3 poder\u00e3o ver a luz se entrarem mar adentro&#8230;<\/p>\n<p>E o melhor que podemos fazer, \u00e9 desejar-lhes boa viagem. E torcer para que carreguem consigo um pouco de suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Acreditar que basta ter filhos para ser um pai \u00e9 t\u00e3o absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser m\u00fasico<\/em>&#8221; (Mansur Chalita).<\/p>\n<p>&#8220;<em>Os filhos s\u00e3o educados como se fossem ficar toda a vida filhos, sem nunca se pensar que eles se tornar\u00e3o em pais<\/em>&#8221; (August Strindberg).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>26\/04\/2012 AO P\u00c9 DO FAROL &#8220;Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles. A isso denominam \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d. Nenhuma m\u00e3e duvida, no fundo do cora\u00e7\u00e3o, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valora\u00e7\u00f5es&#8221; (Friedrich Nietzsche). Li, certa vez que, ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4100"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4100"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4101,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4100\/revisions\/4101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}