{"id":1638,"date":"2014-02-19T12:20:35","date_gmt":"2014-02-19T12:20:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/?p=1638"},"modified":"2014-02-19T12:20:35","modified_gmt":"2014-02-19T12:20:35","slug":"rcd134-raios-ou-chamas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/rcd134-raios-ou-chamas\/","title":{"rendered":"RCD134 &#8211; Raios ou Chamas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\"><strong>AO P\u00c9 DO FAROL<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles, a isso denominam \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d, nenhuma m\u00e3e duvida, no fundo do cora\u00e7\u00e3o, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valora\u00e7\u00f5es.&#8221; (Friedrich Nietzsche)<\/p>\n<p>Li, certa vez que, ao p\u00e9 do Farol, n\u00e3o h\u00e1 luz.<\/p>\n<p>Mas, e o que dizer, quando falamos n\u00e3o de uma proximidade geogr\u00e1fica, mas emocional, como na rela\u00e7\u00e3o entre pai e\u00a0 filho, por exemplo? Somente hoje, distante de meu pai, vejo\u00a0o suficiente para enxergar, com relativa nitidez,\u00a0a luz de seu Farol e para compreender a liberdade acolhedora de seu amor que, \u00e0 \u00e9poca,\u00a0eu\u00a0percebia como sufocante e limitador.<\/p>\n<p>Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas ondas e intemp\u00e9ries\u00a0daquilo a\u00a0que chamamos vida,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 para vislumbrar\u00a0n\u00e3o somente\u00a0em que me tornei,\u00a0mas tamb\u00e9m\u00a0para reconhecer a seguran\u00e7a\u00a0do porto de onde parti. S\u00f3 assim\u00a0pude entender n\u00e3o apenas o que hoje sou, mas de\u00a0que\u00a0ra\u00edzes brotei&#8230;\u00a0 Lembro-me de, quando jovem, ter dado a meu pai um livro do genial poeta\u00a0Kahlil Gibran.\u00a0 No cap\u00edtulo &#8220;Dos Filhos&#8221;,\u00a0Gibran\u00a0escreve:\u00a0&#8220;Vossos filhos n\u00e3o s\u00e3o vossos filhos. S\u00e3o filhos e filhas da\u00a0\u00e2nsia\u00a0da vida por si mesma&#8221;.<\/p>\n<p>Eu,\u00a0como todo jovem, clamava por liberdade. E, como jovem,\u00a0ignorante e esquecido dos perigos do desconhecido,\u00a0 enxergava apenas o mar que \u00e0 minha frente se expandia. Dar o livro a meu pai era como dizer a ele:\u00a0 &#8220;me deixa viver, me conceda a liberdade plena da experi\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Lembro que toda vez que discut\u00edamos sobre liberdade\u00a0 ele me falava dos perigos que a vida nos reserva. Mas eu, que estava ao p\u00e9 do Farol, enxergava apenas a beleza do horizonte\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e\u00a0meus olhos n\u00e3o percebiam a dureza do percurso&#8230;<\/p>\n<p>Hoje sou pai.<\/p>\n<p>Os filhos crescem, amadurecem, e percebo que, como muitos pais, continuo a trat\u00e1-los como se tivessem sempre a mesma idade,\u00a0 a mesma mentalidade, as mesmas fraquezas&#8230;<\/p>\n<p>Como hoje eu entendo que, para aprender a navegar,\u00a0 precisamos desafiar os tormentos e as borrascas do mar,\u00a0 \u00e9 chegada a hora de aceitar um dos inevit\u00e1veis\u00a0des\u00edgnios da vida: se nossos filhos est\u00e3o ao p\u00e9 do Farol, eles s\u00f3 poder\u00e3o ver a luz se entrarem mar adentro&#8230;<\/p>\n<p>E o\u00a0melhor que podemos fazer, \u00e9 desejar-lhes boa viagem. E torcer para que carreguem consigo um pouco de suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditar que basta ter filhos para ser um pai \u00e9 t\u00e3o absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser m\u00fasico.&#8221;\u00a0\u00a0 (Mansour Chalita)<\/p>\n<p>&#8220;Os filhos s\u00e3o educados como se fossem ficar toda a vida filhos,\u00a0 sem nunca se pensar que eles se tornar\u00e3o em pais.&#8221;\u00a0 (August Strindberg)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; AO P\u00c9 DO FAROL &#8220;Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles, a isso denominam \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d, nenhuma m\u00e3e duvida, no fundo do cora\u00e7\u00e3o, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valora\u00e7\u00f5es.&#8221; (Friedrich Nietzsche) Li, certa vez que, ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1638"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1639,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1638\/revisions\/1639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miguelfaccio.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}